Sei que não me queria tanto assim. Pouco a pouco me dei até gratuitamente, queria ser o centro de toda tua alegria, pois estar sem mim seria mais tarde a fonte de toda tua tristeza.
Queria ser teu esconderijo e fortaleza. Dialogar sobre tudo, sem medo, sem críticas. Ser de tua inteira confiança. Queria ser, sim, tua liberdade, para depois te prender irreversivelmente.
Não tenha medo! Sou eu, sou mesmo quem chegou!
Não me ligue tanto assim, também tenho minha vida!
Você faz muito pouco por mim! Depois diz que me ama!
Eu fiz de minha presença em tua vida a tua própria vida! Mas, então, já posso te mostrar a foice macabra da morte! Já anotei, registrei e conheço todas as tuas fraquezas, fragilidades e carências! Sou eu quem decide onde, como, quando.
Sou o vento, você a poeira monótona espalhada morta pelo chão.
Sou o teu fogo, você a cinza que viaja sem destino pelo ar.
Peguei teu solo árido e pus minhas sementes. Elas vingaram e suas raízes te penetraram até o recôndito da alma. Construído o jardim, me fiz ser teu paraíso! As nuvens, de repente, ficaram escassas, faltou água. Por isso, as flores secam rapidamente. Ficar sem mim é te expulsar sempre. Aceite o inferno, você já conhece um pouco dele.
Eu sou a tua droga, que te deu tudo o que quis. Eu tirei todo teu querer e te mostrei um novo caminho. Não me canso de nada te dar e você nunca vai chegar a lugar nenhum. A não ser no mesmo despenhadeiro onde tantos saltam... pra nunca mais voltar!
Porque a morte se torna doce, convidativa, cuja certeza de salvação, de negação de todo mal, questionamento e conhecimento supera toda expectativa de inferno.
Jackson












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